Voltar ao blog

· 3 min de leitura

Nunca sabemos a história toda

Julgamos rápido, reagimos rápido e esquecemo-nos de algo essencial: nunca sabemos verdadeiramente o que os outros estão a passar. E o mais irónico? Também esperamos que os outros nos compreendam… sem saberem a nossa história.

  • Empatia
  • Compaixão
  • Reflexão
  • Mentalidade

Ontem tive uma conversa interessante com uns amigos.

Falávamos sobre como, hoje em dia, parece que estamos a perder aquilo que nos torna realmente pessoas: empatia, compaixão e compreensão pelos outros.

A verdade é simples. Nós nunca sabemos a história toda.

Nunca sabemos o que a outra pessoa está a passar naquele momento.

Imagina que estás no trânsito e alguém faz uma manobra completamente irresponsável.

A reação imediata é reclamar, insultar, pensar “que imbecil”.

Mas e se essa pessoa acabou de receber uma chamada a dizer que o pai teve um AVC e está no hospital?

E se estiver em pânico?

No ginásio acontece o mesmo.

Vemos alguém a fazer um exercício estranho, com má forma, ou a treinar leve, e julgamos.

Mas e se aquela pessoa teve um acidente?

E se tem um problema de saúde?

E se aquilo já é o máximo que consegue fazer e mesmo assim decidiu aparecer?

O ponto é este.

Nós julgamos com base em segundos aquilo que levou anos a construir.


Mas há um lado disto que raramente falamos.

Quando somos nós a passar por uma fase má.

Quando estamos cansados, frustrados, com problemas, sem cabeça.

Quando reagimos pior do que devíamos.

Quando temos menos paciência.

Quando simplesmente não estamos bem.

E depois sentimos:

“As pessoas estão a julgar-me e não fazem ideia do que estou a passar.”

E isso é verdade.

É injusto.

Mas ao mesmo tempo…

As outras pessoas não têm como saber.

Elas só veem:

  • a tua reação
  • a tua atitude
  • a tua expressão

Não veem o resto.


E aqui entra a parte mais interessante.

Nós queremos ser compreendidos sem contexto.

Mas julgamos os outros exatamente da mesma forma.

Aquilo que sentimos quando somos julgados injustamente é exatamente o que fazemos aos outros todos os dias.

Toda a gente já esteve dos dois lados.

O que julga.

E o que é julgado.


Se tivéssemos de colocar isto numa escala de 0 a 100:

  • 0 é tratar alguém mal, com desrespeito
  • 50 é ser completamente neutro
  • 100 é ser extremamente atencioso

Acho que o objetivo não é sermos sempre perfeitos.

Mas devia ser manter-nos sempre ali nos 60–70.

E nunca descer dos 50.

Porque a partir daí já não diz nada sobre a outra pessoa.

Diz tudo sobre nós.


Outra coisa importante.

Mesmo quando alguém não age bem connosco isso não é desculpa para descermos ao nível.

Devemos continuar a agir com respeito, calma e, dentro do possível, positividade.

E isto já nem é sobre a outra pessoa.

É sobre quem escolhemos ser.

A outra pessoa pode não mudar.

Pode nem reparar.

Mas se existir nem que seja uma pequena chance de a nossa atitude fazer essa pessoa refletir já vale a pena.


No fundo, é simples.

Se queremos que os outros nos deem o benefício da dúvida temos de fazer o mesmo por eles.


A realidade é que hoje em dia estamos demasiado focados em nós próprios.

Demasiado egoístas. Demasiado centrados no nosso próprio mundo.

E esquecemo-nos de uma coisa básica.

Toda a gente está a lutar uma batalha que tu não consegues ver.


No final do dia, há uma escolha.

Podemos reagir automaticamente.

Ou podemos parar um segundo e escolher melhor.

E se temos a opção de agir melhor,

porque não escolher isso?

Newsletter

Recebe os novos artigos por email

Sem spam, sem calendário fixo — só um email quando publico um novo artigo.

Artigos relacionados